Não canso de bater na porta


Publicado em 14/05/2019 Atualizado em 14/05/2019 09:07

A vida ajuda aquele que se esforça. Pode demorar para ver os resultados, mas ajuda. “Tenha paciência” é o que mais odiamos ouvir quando algo não dá certo. Mas é a mais pura verdade. Esforço é superar a resistência do tempo com a paciência.
O que nos atormenta é a sensação do quase. Quase lá. Quase consegui. Quase amor. Quase amizade. Quase sucesso. Quase feliz. Quase perfeito.
Mas o quase é um caminho. Nada acabou ainda. É quase porque ainda estamos tentando. Quase é sinal de que tem mais a fazer, quase não é um resultado definitivo. Quem se contenta com quase não é inteiro por dentro.
Você queria ser mais amado mas quem diz que já não é ? Você queria ser mais reconhecido, mas quem diz que você já não tocou o coração dos estranhos?
Eu já fui longe demais perto do que estava programado para mim. Sou vitorioso em minhas dores e angústias. Talvez não seja em comparação aos outros, talvez minhas conquistas sejam modestas perto de quem é o primeiro lugar, perto de quem é mais inteligente e talentoso, mas venho oferecendo tudo o que sou a cada manhã. Não me economizo, eu me arrebento para estar na média. Eu me mato para passar com seis. O seis é o meu dez.
É a minha diferença: não há facilidades para mim, corro atrás dos meus olhos.
Mas comparado comigo, concorrendo comigo, sou meu melhor. O melhor que consegui.
Aos 7 anos, fui diagnosticado retardado e convidado a sair da escola por não conseguir ler e escrever. Só estou aqui por esforço. É só esforço. É só paciência.
Durante a minha primeira década, eu me sentia odiado, chamado de monstro pelos meus colegas, sofria bullying todo dia na escola e todo o dia eu voltava para escola. Minha aparência provocava repulsa. Tive que achar um jeito de me achar bonito sem ninguém me elogiando.
O esforço foi o meu amor próprio quando não encontrava amor lá fora. Eu me alimentei de migalhas para descobrir o caminho do prato. As migalhas foram o meu trajeto.
Se não sabia falar, por sérios problemas de dicção, ironicamente acabei trabalhando na rádio. Se não era fotogênico e bonito, ironicamente assumi programa de televisão. Se não sabia escrever, ironicamente me tornei escritor.
Sou a falha da estatística, um erro no sistema, um sobrevivente do padrão.
Eu bato na porta, bato na porta, bato na porta. Se ela não abre, serei a própria porta. A porta para alguém como eu.

Autor: Fabrício Carpinejar

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