A vida é muito curta para a pessoa ser tão amarga


Publicado 03/08/2020 09:09

 

A vida é muito curta para a pessoa ser tão amarga. Ela não perdoa a si mesma por não ter tido a vida que quis, por não ter conhecido as pessoas certas, por não ter conseguido as oportunidades que outras pessoas tiveram. A pessoa amarga é, antes de tudo, uma pessoa invejosa: ela inveja a vida que não teve, a vida que não tem e que, no seu desespero surdo, acredita que jamais terá.
A amargura é uma arrogância contra a vida: porque eu não tive a sorte que outras pessoas têm? Deus, se existe, é mau, pois não me deu nada do que deu de sobra a tantas pessoas que me cercam.
Afora as injustiças sociais, que existem e são graves, não há razão para tanta amargura: a vida é tão bela, tão sensível, tão emocionante, que ser uma pessoa amarga é conspirar contra a vida.
Cabeça erguida, sempre, mesmo quando por dentro estamos de cabeça baixa. É preciso que o mundo conheça e veja o meu melhor, a minha capacidade de superação, a minha determinação em lutar por um mundo melhor. Não quero que o mundo tenha peninha de mim pelas agruras por que passei, mas tenha orgulho de mim por ter superado tais dificuldades e conseguido ser a pessoa que eu sou, nobre e digna.
Quero que vejam as chagas do meu sofrimento como troféus, não como chagas abertas, expostas à piedade dos outros. Quero que vejam as chagas do meu sofrimento como sinais de esperança de que tudo pode ficar e ficará bem.
Não acredito em pessoas amargas, que arrogantemente se consideram melhores do que todo mundo, justamente por se sentirem piores do que todo mundo. Não acredito em pessoas amargas que se acham superiores a todo mundo por julgarem que sofrem mais do que qualquer outro mortal. Falta humildade a essas pessoas para reconhecer e aceitar as dificuldades próprias da condição humana.
Somos criaturas imperfeitas, limitadas, altamente vulneráveis e perecíveis. Não temos certeza de nada exceto de que todas morreremos. Bastava esse destino inexorável e contundente para passarmos o tempo todo celebrando a vida, em vez de participar desse culto macabro à amargura, ao sofrimento, à morte.
As coisas são difíceis? São. Há um mundo de coisas erradas? Um mundo e meio! Há uma batalha diária que temos que lutar para assegurar a vida, em todos os seus aspectos e modalidades? Uma batalha, o que?! Uma guerra.
Mas gente que faz a diferença, que grita, que luta, que reivindica, que participa da festa diária da vida, é gente feliz, não é gente amarga. É gente que se considera agente de mudança da sociedade, em vez de vítima, amarga e incapacitada de fazer qualquer coisa que não seja sofrer e sofrer.

Autor:  Letícia Lanz








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